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O autor desse Blog é estressado, ranzinza, sarcástico, mal amado, egocêntrico, pervertido, preguiçoso, boca suja e teimoso. O lado bom? Ele nunca mudará.

sábado, 4 de setembro de 2010

Um fato que irrita

Bom, o post de hoje será um pouco diferente. Na verdade será um post relâmpago (se comparado aos outros) em homenagem as várias pessoas que passam por aqui diariamente e ao olharem o tamanho dos textos vão embora sem nem ao menos ler o início para saber se vale a pena continuar até o final. Estava vendo as estatísticas do blog e vi que o mesmo mantém uma média de 25 a 30 visualizações de página por dia, salvando o dia primeiro que teve 54, desde o dia que publiquei a primeira postagem. Sim, uma pobreza de visualizações, mas não é isso que me deixa chateado (pra não dizer puto), afinal, faz apenas um mês que montei essa bagaça. O que me irrita é saber que de 30 visualizações, apenas um máximo de quatro comentários (isso se eu tiver muita sorte) surge em algum post. Ou seja, todo o resto passa, olha e solta um bocejo de preguiça porque não tem ânimo ou suficiência cerebral pra ler algo com mais de 1000 caracteres digitados. E pra fechar com chave de merda, vez ou outra surge o famoso “blog legal!  www.algumaporralouca.blogspot.com, passa lá!”

Passa lá?

 PASSA LÁ?!?

Porra, mas é lógico que eu não vou passar lá porque você me pediu. Primeiro, que se foi preciso vir no meu blog que quase ninguém para pra ler só pra fazer marketing do seu, é porque o seu não merece ser visualizado nem por quem é cego. E segundo, você acha mesmo que depois de um comentário inútil como o seu que prova que você não leu coisa alguma desse blog, eu ainda vou comentar no seu? Não. Eu não comento em blog porque me pedem, eu não sigo blog porque me pedem e eu não digo que algo é legal sem eu achar. As pessoas que receberam comentários meus em seus blogs podem comprovar o que eu digo. Eu nunca deixo esse tipo de babaquice porque se eu corro atrás pra divulgar o que eu escrevo você pode muito bem fazer o mesmo, e se eu deixo meu comentário no seu blog é porque ao menos pra mim, você mereceu por ter feito um bom, ótimo ou excelente trabalho e acima de tudo...

 PORQUE EU LI O SEU MALDITO POST!

Para que eu pudesse comentá-lo, entendeu?

E pra finalizar, agradeço e admiro quem comenta aqui sobre o conteúdo das postagens, me provando que ainda existem pessoas que sabem ler e argumentar.

Não me aborreço com críticas construtivas e gosto de elogio, como qualquer ser humano. Mas não me apresente sua indiferença ou sua vocação para sanguessuga, pois bicho assim, eu mato na paulada...

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Uma vergonha (ou várias)

Bom, antes de qualquer coisa, deixo avisado que um dos contos que eu mencionei teve seu primeiro capítulo logo abaixo desse post, para os desavisados.

AGORA VAMOS AO POST!

Venho aqui hoje para falar sobre uma coisa que me intriga, te afeta (ou não) e querendo ou não faz parte da sociedade em que vivemos.

A VERGONHA

Estava eu há uns dois dias conversando com certas pessoas quando percebi um detalhe curioso que nós seres humanos conservamos por boa parte do tempo, quase como um amuleto. A maldita da vergonha!
Alguns a acham necessária para manter um limite do que as pessoas devem e podem ou não fazer, dentro do ambiente em que vive. Mas eu discordo.
Veja bem.  A vergonha nada mais é do que a noção de exagero, gerada pelo excesso de algo.

Não entendeu?
Vou explicar.

Você tem uma namorada, ou namorado? Legaaaaaal.
Você tem duas ou dois ao mesmo tempo? Canaaaaaaaaaaaalha.

Entendeu? Não to dizendo que é certo, obviamente, estou apenas mostrando que o exagero é que leva as pessoas a perceberem o que é ou não errado.

Ta.

 “Mas Diego, você só disse coisas que realmente são erradas!”

Eu sei disso, uai. O problema está nas coisas que passam disso. Não entendeu? Vou explicar... De novo!
É essa palavra e seu poder absoluto que dita regras, minha gente. Tudo que é demasiadamente exagerado, como bigamia, excesso de cigarros ou outro produto que cause dependência, e outras coisas do tipo, levam a pessoa a ter a noção de que tudo que ela fizer na vida deve ter um freio de mão. Até aí, ta tudo certo, pois realmente precisamos ter um botão de “SE MANCA!” quando notamos que estamos sendo inconvenientes ou agindo de forma que prejudique o próximo. A tragédia mental ocorre mesmo quando a gente passa a deixar que esse pensamento atrapalhe em coisas que realmente gostamos. Enquanto eu conversava com uma amiga, por exemplo, ela mencionou que adora poesia. “Legal! Eu também.” – eu disse pra ela. E ela perguntou “Ta brincando? As pessoas não te zoam, não?” Foi quando eu perguntei por que ela disse isso, e ela respondeu que onde ela estuda, poesia, textos românticos e qualquer coisa do tipo, até mesmo arte, é vista como coisa de drogado ou viado. Eu caí na risada. Juro que achei graça do quão patético a chamada “vergonha coletiva” nos transforma.

Porque é dessa forma que ela funciona. Um costume que sequer condiz com o certo ou o errado é criado simplesmente para satisfazer o gosto de uma pessoa. Só que devido aos motivos citados acima, determinado costume vira regra, determinada regra vira obrigação, e determinada obrigação leva as pessoas a agirem conforme os costumes a mandam. É o caso da moda. É legal ter roupa de marca? Não. É legal porque os programas na TV dizem isso, quando os apresentadores jogam as roupas das donas de casa no lixo e impõem a elas vestimentas novas.  O legal é ter roupa que nós achamos bonita. Se eu visto uma camisa laranja (como a que estou vestindo agora) que não tem bosta alguma escrita, só um nomezinho minúsculo no peito, já tem três anos eu ainda achar ela bonita, vou continuar saindo com ela pra andar no calçadão. Agora se eu quiser sair com uma roupa preta, cheia de detalhes em vermelho com a maior pinta de playboy, SÓ PRA ANDAR NO CALÇADÃO, eu também vou.

Claro. Devo deixar claro, que NINGUÉM, por mais corajoso, louco, cara-de-pau ou outro adjetivo que se adéqüe, está totalmente livre das vergonhas coletivas. Isso é fato.

Não tem jeito, sempre temos uma vergonha com a gente que foi imposta desde pequeno porque as pessoas decidiram que seria bom assim. Quer uma prova? Vou citar uma lista das vergonhas mais comuns entre a gente (pelo menos é o que eu espero, se não terei que fazer outro post sobre minha estranheza) e vocês me dirão se pelo menos uma dessas vergonhas não estão grudadas em vocês:

1 – Vergonha de fumar em público – Essa é a típica vergonha que leva o sujeito a ficar sem graça de puxar aquele cigarrinho do bolso em uma roda de amigos, cuja maioria é (aparentemente) politicamente correta, mesmo sabendo que cada um ali na certa tem uns quatro ou cinco vícios bem piores.

2 – Vergonha de dar cantada – Essa é uma das piores pra quem já é meio tímido. Eu por exemplo no colégio, odiava quando os amigos me empurravam pra chavecar (eeeeita palavra antiga) alguma guria, porque a vergonha me levava a crer que não importasse o quanto eu me esforçasse, o fora seria certo, clássico e esmagador.

3 – Vergonha de levar cantada – Essa geralmente é quase inexistente entre os garotos (embora quando a guria seja feia, ela se manifeste no meio masculino), e está mais entre as puritanas.

4 – Vergonha de dizer merda na frente dos amigos – Quem nunca passou por isso? A gente sabe como é horrível no meio de uma gargalhada coletiva com seus amigos na volta pra casa, soltar uma piada sem graça, ou um simples comentário sobre um gosto seu, e todos pararem de rir e se entreolharem como se você tivesse caído da nave.

5 – Vergonha de estar fora de moda – Se encaixa não só nas vestimentas, mas em tudo que as pessoas não consideram modernas. Roupas, músicas, comida, até mesmo aromas para a casa hoje em dia são taxados como ultrapassados ou modernos.

6 – Vergonha de cagar no serviço ou na casa da namorada ou namorado – Neeeeeeeeem adianta rir e disfarçar, porque eu sei que você já deve ter passado por isso. Todos já passamos, e quem não passou deveria passar, pois é uma experiência sinistra pra aprendermos.

7 – Vergonha de achar pessoa do mesmo sexo bonita – Bem comum, mas que com o passar do tempo foi sendo deixada de lado, aos poucos. É quase inexistente hoje em dia entre as mulheres, costuma ser mais intensa entre os homens que tem uma puta vergonha de admitir que o sujeito pelo qual sua namorada te trocou, é mais bonito que você.

8 – Vergonha de ser pobre – Aaaaaah, uma das mais divertidas. Teve uma época na minha adolescência que eu a tinha. Quando faltava certa grana pra ir a alguma viagem do colégio, e a situação em casa estava em época de crise, eu tentava ao máximo me esforçar pra inventar uma desculpa pra ninguém saber que eu não ia viajar porque estava mais duro que bilau de tarado. Depois percebi que não valia o esforço, e passei a usar o bolso furado (até mesmo nas épocas de vaca gorda dentro de casa) como motivo pra me livrar de um bando de coisa no colégio.

9 – vergonha de ser rico – É o oposto do citado acima, mas ainda mais engraçado. Sempre tem um sujeito na turminha de amigos, que é mais bem de vida do que os outros, mas tem um baita medo de aparecer com aquele celular caro porque todo mundo vai olhá-lo como esnobe ou riquinho.

10 – Vergonha de ser feio – A mais famosa de todas. Aquela que assola boa parte da população. Eu tinha bastante dessa, mas quando vi que sempre vai existir uma doida na seca, percebi que a vida é mais bonita do que a gente imagina.

11 – Vergonha de ser inteligente – Eu a tive na época do primário, em que eu só tirava 10 e odiava jogar bola, o que emputecia ainda mais as pessoas da minha classe que me taxavam como CDF.

12 – Vergonha de ser burro – Pois é, depois do primário eu tive essa. Meu Q.I caiu tanto que parecia ter tido uma morte cerebral. Mas aí a gente descobre que por mais burro que sejamos, se tivermos um único talento, a coisa pode mudar de figura.

13 – Vergonha de ser romântico (conhecido também como medo de amar) – A mais complicada, porque se divide em vários aspectos. Pode acontecer quando a pessoa é mais fria, e mesmo gostando, não consegue demonstrar carinho nem receber sem contestar. Pode ser o do tipo que a pessoa quer mostrar para a outra o quanto a ama, mas tem medo de que a outra a rejeite. Tem vários aspectos, e por isso é considerada (por mim) uma das mais perigosas.

Bom, só consegui pensar nessas, mas se tiverem alguma outra, postem nos comentários.

Ah, é. A conclusão, neh?
Então.
Bom, dessa vez não vou tentar concluir o assunto, deixarei que quem ler tente fazê-lo, afinal, isso varia de pessoa em pessoa.

Mas uma coisa eu digo. Tome muito cuidado com sua vergonha de estimação, ela pode estar te atrasando mais do que você imagina.

Grande abraço!

Obs: Alguém aqui já escutou música celta? Caramba, a gaita escocesa ou seja o que for que produz aquele som, é siniiistra.

Soldado sem nome - Capítulo um: Últimas memórias

Dizem que o homem causa sua própria destruição, dia pós dia. Eu contesto.

Quem dera se o homem destruísse apenas a si mesmo.

Quando tudo isso tiver acabado um dia, eu espero que alguém de bom coração possa tomar posse de todas essas informações e divulgá-las para o máximo de pessoas que puderem ler. Meu objetivo não é ser famoso, até porque quando souberem de tudo eu já estarei sob sete palmos de terra, contaminada ou não.
            Meu objetivo é mostrar a todos o lado mais sujo da humanidade.

            Meu objetivo é fazer com que nem a paz faça-os esquecer.

            Meu objetivo é comprovar a lei do maldito Murphy, e ao mesmo tempo contradizê-la.

            Que Deus me perdoe. Por tudo.

            Ass:

            A data é 24 de dezembro de 2012.

            Me lembro até hoje de todo aquele clima de Natal que eu odiava. Era tão mais difícil as coisas nessa época, que a vontade jogar tudo pro alto e voltar pra São Paulo tinha começado a se transformar em uma ânsia desenfreada. Nunca fui o tipo de pessoa fraca, que se deixa levar pelas dificuldades e desiste na primeira queda, até porque eu nem tinha motivo pra isso. O intercâmbio havia me ajudado bastante, eu havia conseguido criar laços com pessoas que significavam muito para minha carreira Mas era tão complicado acompanhar a ceia de natal do pessoal lá de casa pelo monitor do Notebook que segurar as lágrimas ao ver minha sobrinha de três anos me mandando beijo e dizendo “Amo você” era quase inevitável. Em pouco mais de um ano, só pude visitá-los no meu aniversário, um mês antes do natal. O que deixava Clara completamente frustrada. Ela era o tipo de garota que acredita em amor verdadeiro até quando não pode. Ficava sempre ao lado da minha irmã quando eu resolvia vê-los na câmera e vice versa, para mostrar que apesar da minha ausência ela continuava junto a minha família. Meu pai, um senhor robusto já na faixa dos sessenta e lá vai contagem, não apoiava muito o namoro à distância, fato que nos fazia discutir bastante por telefone. O cara passou por poucas e boas na época da ditadura por causa de uma única mulher e acabou se tornando uma rocha quando o assunto era romance. Ainda me pergunto como ele e minha mãe conseguiram fazer tudo dar certo. Ela, uma senhora baixinha e mirrada de olhos puxados, descendente de imigrantes japoneses, simplesmente a pessoa mais carinhosa que eu já conheci. Sempre entrou em contradição com o marido quando o assunto era meu futuro, meus estudos, meus namoros, minha vida de modo geral. Ele queria algo, ela queria o que eu quisesse. Mas no fundo, acho que mesmo ele não resistia ao sorrisinho meloso que ela mostrava com um poder que conseguia acalmar qualquer fera. Minha irmã, já era meu oposto em quase todos os aspectos. Gostava de coisas lógicas, da simplicidade da lógica em si. Empresária em ascensão, ela fazia questão de me lembrar todas as vezes que nos falávamos que ajudaria a gerenciar minha carreira assim que meu livro fosse lançado. Ela tinha uma garotinha de três anos chamada Alana, que era meu verdadeiro xodó e me fazia pensar se realmente não seria tão ruim ter filhos um dia. E por último posso citar eu mesmo, um sujeito de vinte e seis anos que vivia em New York há quatorze meses, trabalhando como aspirante de jornalista graças ao intercâmbio promovido pela universidade que havia me formado com louvor.

Faltavam dez minutos para meia noite e minha família já estava naquele clima de comemoração antecipado. Eu via pela câmera o rosto corado de Clara, ajudando a servir a mesa de jantar enquanto meu pai lançava olhares furtivos para a câmera que os filmava e transmitia todo o calor familiar direto para o meu computador. Na TV passava alguma notícia sobre a aparente trégua que os Estados Unidos firmaram com a Coréia do Norte, com quem estavam declaradamente em guerra já há quase oito meses, fato que até essa época havia provocado a morte de mais de dez mil marinheiros americanos e coreanos que guerreavam nos mares do Oriente.

Eu não dava a mínima pra quem guerreava ou deixava de guerrear, a única coisa que me importava naquela noite era comemorar o Natal da forma menos fria possível, ainda que em meu apartamento não tivesse mais ninguém além de mim.

Faltando quatro minutos para a contagem regressiva que minha mãe adorava fazer na véspera para o dia 25, ou em qualquer data comemorativa, o telefone toca. Até me estressei com isso de início, mas quando vi que Clara havia subitamente sumido do ângulo de visão da câmera, percebi que o telefonema me agradaria.

- Ei. – fui logo dizendo meio sem graça. Acho que a distância me transformava aos poucos em um idiota maior do que eu já era.

            - Ei. – ela responde do outro lado da linha, em um tom apreensivo. – Quis fazer uma surpresa antes do brinde aqui, você sabe como é sua mãe.

            - Sei, sei. E como você tá? Passou no teste que ia fazer para aquela peça? – tentei mostrar interesse, embora eu nunca tivesse ligado para o sonho que ela tinha.

            - Não, disseram que sou nova de mais pra um papel que requer tanta experiência de vida. – ela me respondeu com um tão amargurado que percebi que não devia ter tocado no assunto. Tratei logo de tentar concertar a cagada que eu tinha feito. – Não esquenta, esse tipo de coisa é assim mesmo. – “é assim mesmo”? Eu não podia ter pensando em nada melhor? – Logo, logo vai achar as pessoas que verão seu talento de verdade. Olha meu exemplo, conseguir vir parar aqui, certo?

            - Você concluiu a faculdade entre os cinco melhores e teve todos os custos dos primeiros meses pagos pelos seus pais. – ela respondeu tentando não parecer irritada com o comentário que eu fiz.

            - Desculpa, só tava tentando fazer isso não parecer tão negativo.

            - Tudo bem. Só liguei mesmo pra ouvir sua voz. – ela disse com a voz embargada. Eu podia ser uma besta quando o assunto era consolar alguém, mas mesmo com a distância, eu ainda sabia reconhecer um choro sendo sufocado.

            - Clara, que ta acontecendo, heim? – comecei a me preocupar.

            O silêncio tomou uns bons trinta segundos. Já dava pra ver minha mãe aguardando a nora para o brinde, enquanto meu pai revirava os olhos de tédio.

            Ela continuou calada.

            - Clara?

            - To aqui.

            - Então. O que houve?

            - Eu to grávida.

            Eu poderia ter dito muitas coisas. Você que está lendo isso pode pensar em várias opções para terminar esse diálogo da melhor forma possível. Mas quando é com a gente que acontece, a coisa muda de forma. Deve ter passado pelo menos um minuto de silêncio, agora provocado por mim, até eu dizer:

            - O brinde vai começar. – cada músculo facial que eu tinha estava paralisado.

            - Você ouviu o que eu disse? Eu falei que...

            - Eu ouvi! Agora vai pra mesa que o brinde vai começar. A gente termina isso outra hora. – não consegui. Simplesmente não pude pensar em uma forma de ser menos grosseiro. A imagem do meu futuro profissional sendo interrompido por um bebê não planejado me acertou em cheio em questões de segundos.

            “Querido, quer falar algo?” - escutei minha mãe dizer, percebendo que todos, exceto Clara que mantinha as mãos notavelmente trêmulas, me encaravam.

            O barulho que fiz com a garganta, era pra ter sido um não, mas acabou soando como um guincho que fez todos rirem, menos eu e ela que a essa altura já não conseguia controlar o choro. Vendo isso, era para eu no mínimo ter me sentido culpado.

Mas eu senti raiva. Não sei direito porque, mas era como se ela tivesse me tirado tudo que eu havia planejado com apenas um simples telefonema. Meu egoísmo extremo sempre se manifestava quando algo parecia ameaçado, isso já era fato confirmado.

A imagem dos meus pais me olhando sem entender coisa alguma, e minha irmã tentando compreender o porquê Clara estava com as mãos no rosto e se recusando a olhar para a câmera, me fez sentir ainda mais raiva. “Por que tanto drama? A gente nem conversou direito ainda!” – pensei enquanto via a cena.

Se eu pudesse, eu realmente teria voltado atrás.

Se eu soubesse o quanto eu ainda era imaturo por agir daquela forma.
..
Teria dito ao telefone o quanto feliz eu estava, mesmo não estando naquele momento.

Teria dito logo o nome que a criança deveria ter se fosse menino.

Teria pedido desculpas por estragar o futuro dela, ao invés de me preocupar com o meu.

Mas eu não pude.

Também não pude ouvir o que me diziam quando o áudio da transmissão ficou mudo e uma súbita oscilação de energia resolveu acontecer justo naquele momento, fazendo as luzes se apagarem e cancelando a transmissão pelo computador, que desligou.

- Só pode ser brincadeira. – eu disse olhando para o teto, cuja lâmpada piscava enlouquecida. Olhei pela sacada do apartamento e vi que metade dos prédios próximos ao meu pareciam estar sofrendo com o mesmo problema, com suas janelas parecendo árvores de natal. Percebi em um momento, que o problema não parecia ser o fornecimento de energia em si, mas alguma interferência bem forte, pois um Notebook que funciona a bateria não teria desligado caso a energia oscilasse.

Tratei logo de pegar o celular no bolso e ligar para o pessoal. A essa altura eu já havia perdido a ceia e Clara já devia estar aos prantos nos ombros da minha irmã, que com certeza planejaria um ótimo discurso para me fazer sentir o pior homem da face da terra.
Para minha surpresa, o celular não estava ligado. Na verdade não deu muito tempo de ver o status dele, pois quando o peguei a temperatura do maldito aparelho estava tão alta que originou uma bolha na minha mão, em poucos segundos.

Foi quando eu o vi.

Grande e majestoso.

Sobrevoando como uma águia gigante a procura de milhares de presas em uma bicada só.

O maior avião de guerra que eu já tinha visto ou ouvido falar em toda a minha vida.

Ele sobrevoou tão baixo que o cheiro do combustível pôde ser sentido. Antes que eu pudesse raciocinar e fazer a famosa pergunta – Mas que porra é isso? – fui tomado por outra surpresa, ao ver um segundo avião do mesmo tipo sobrevoando na direção contrária. Pareciam realmente aves de rapina gigantes, reconhecendo a área antes de dar aquele mergulho certeiro. Os curiosos de plantão aguardavam a vinda de uma terceira aeronave, mas o que tiveram, poucos segundos depois, foi muito além de suas expectativas. Foi além do que qualquer um imaginaria em um dia de Natal.

O barulho de algo cortando o céu marcou o início do verdadeiro Natal que a América teria. O míssil que saiu sabe-se lá de qual direção, acertou o em cheio um dos prédios próximos ao meu, ao qual eu tinha visão direta por ficar de frente pra minha varanda. O barulho foi tão forte que as janelas de muitos prédios próximos quebraram apenas com o impacto. Quando dei por mim, já estava descendo as escadas do prédio como um louco. Empalideci ao escutar os gritos que saiam de dentro do elevador quando passei pelo décimo quarto andar. Imaginei que ele tivesse parado pela mesma interferência que a energia e meu celular tiveram poucos minutos antes, mas não tive tempo de ficar para constatar quando escutei uma segunda explosão, bem mais forte que a primeira.

Dessa vez o prédio inteiro tremeu. Acho que New York em si estremeceu com o tamanho estrondo.
Me lembro de ter chegado a tempo de ver uma multidão aglomerada na frente do bar que existia no outro lado da calçada, no qual eu e mais alguns estudantes de intercâmbio frequentavam. Antes de entrar no meio do povão e encarar o empurra-empurra, olhei para o horizonte e vi uma das únicas coisas que podemos dizer “Não desejo nem pro meu pior inimigo”.
Uma onda de poeira cinzenta parecia ter se formado no céu, a vários e vários kilômetros de Manhattan, e parecia crescer numa velocidade assustadora.

- Coreanos filhos da puta. – ouvi um rapaz que estudava psicologia e morava no andar de baixo do meu prédio dizer, enquanto também tentava se ajeitar entre os curiosos para ver as notícias do plantão na TV dentro do bar.

“O que toda a América temia, teve início há poucos minutos, quando dezessete mísseis foram lançados em regiões distintas entre os cinco condados da cidade de New York. Nas proximidades do Bronx, uma bomba de efeito esmagador foi solta. Não podemos estimar o número de vítimas que ela pode ter causado, pois a onda de poeira que se formou bloqueia qualquer entrada no local. Equipes de descontaminação já estão sendo enviadas e não descartamos a possibilidade de um atentado a nível nuclear. Los Angeles também está sofrendo com súbitos ataques, tendo tido metade da cidade bombardeada e uma bomba com efeitos semelhantes a essa, solta bem no coração da cidade. O Presidente dos Estados Unidos da América entrará ao ar em quinze minutos, fazendo um pronunciamento para todos os cidadãos.”

Nuclear?” – pensei enquanto tateava os bolsos a procura do celular, lembrando logo em seguida que tinha acontecido com ele. Passei alguns minutos perambulando pelo bar a procura de um celular emprestado, mas pelo visto todos tiveram o mesmo problema.
As pessoas não sabiam direito o que fazer naquele momento. Muitas resolveram ficar no bar, achando que isso as garantiria alguma segurança. Outras como eu, resolveram sair e pegar o primeiro taxi para uma região mais afastada. Mas sem dúvidas, todos sentiram a mesma aflição quando olharam pro céu e viram frotas de aviões Coreanos fazendo o que foram enviados para fazer.

Não tive tempo nem de pensar no que fazer quando eu e todos que aguardavam na calçada do bar, fomos jogados a metros de distância. Até hoje eu tento compreender o que nos acertou foi um explosão, os milhares de estilhaços que voavam pelo local ou se foi simplesmente a mão de Deus nos puxando pra longe do perigo e ironicamente me fazendo perceber o quão desesperado o ser humano fica ao notar que a morte está ali do lado.

- Não adormeça! Fica com a gente! – escutei uma voz feminina dizendo bem próxima do meu rosto. Minha visão estava um pouco embaçada e o pescoço assim como todo o corpo, doía sem parar. Quando coloquei a mão no rosto e toquei aquela cachoeira de sangue que escorria, suponho, da cabeça, tive uma vontade incontrolável de gritar por ajuda, mesmo tendo dois médicos ao meu lado.
Eu estava apagando aos poucos. Na verdade, eu daria tudo para ter apagado rapidamente sem ter que ver a criança poucos metros de onde eu estava, sendo carregada aos gritos de dor, com o que restara do braço esquerdo, mutilado.

Foi quando percebi que com delírios ou desmaios, o pesadelo estava apenas começando...








Um salve para quem aguentou ler até o fim! 
Continua no próximo capítulo. 

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Um aviso!

Não posso nem chamar isso aqui de post, é apenas um aviso para o próximo.

Vou explicar direito. É que como não consegui criar uma parte organizada só pra contos ou crônicas ou pra qualquer coisa que não faça parte do habitual grupo de post's que estão acostumados a ler aqui, resolvi alertar através desse aviso para que não estranhem a próxima postagem, pois será o primeiro capítulo de um dos contos que comecei a escrever apenas para o blog e para distração de vocês (mandei bem, neh? Foi pra não dizer que estou bem desocupado).

E já que é de histórias fictícias que estamos falando, dou logo um resumão das duas que pretendo ir postando ao longo do tempo, caso gostem.

A primeira terá um ambiente pós-apocalíptico com um pouco mais de ficção do que temos em nossas histórias de tempos atuais. Se passará poucos anos a nossa frente, em uma época que a tão temida terceira guerra já ocorreu e deixou para trás um rastro de crueldade e desespero, obrigando o novo mundo a se adaptar a todos os problemas gerados por isso e os mais corajosos, a batalhar para a reconstrução da sociedade. Mostrará através do relato do personagem principal, o lado mais baixo que uma pessoa pode ter, abusando de toda a crueldade que o ser humano possui e ao mesmo tempo mostrando a inocência que esse mesmo ser pode possuir, sendo capaz de dar esperança a todo um povo.

Na segunda, procurarei apresentar a vocês um ambiente mais humorístico e aventureiro, com pinceladas de romance. Ela abordará as aventuras, paixões e riscos que o maior ladrão que a América latina já teve relata, para uma jornalista que deseja publicar sua biografia, enquanto ele aguarda atrás das grades pela primeira oportunidade de mudar o rumo dessa história que para ele, ainda não teve fim.

Com o tempo, será perceptível algumas semelhanças entre as duas narrativas, como o relato em primeira pessoa e outras pequenas coisas que gosto de deixar quase que em tudo que escrevo, como marca registrada.

Por enquanto é só.
Então ja sabe, neh? Próximo post que deve vir a jato, já será o primeiro capítulo de uma dessas.

Grande abraço!

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Um estranho

VOCÊ É ESTRANHO?!?



OU NORMAL?!?




Desculpa a pergunta repentina, mas é que hoje andei com essa questão na cabeça. Na verdade desde ontem ando pensando um pouco nisso.  Percebi recentemente que sou completamente diferente (parece que rimei umas três vezes até aqui) do que meus pais foram e totalmente o avesso do que as pessoas da minha época são, e ainda bem distante do que as pessoas desejam ser hoje em dia. Antes que digam algo, não estou me gabando nem reclamando. Até porque em minha opinião, não existe um lado totalmente bom nem um maléfico nisso tudo, só que é simplesmente engraçado ser... Estranho.  É como se a gente durante um bom tempo (pra não dizer metade das nossas vidas) tentasse se enturmar e ser como os outros, pra ganhar certa credibilidade seja com o sexo oposto ou com aquelas pessoas populares que erroneamente nós olhamos como os amigos ideais para termos, quando mais novos. 

De tanto pensar nisso, fiquei na dúvida se são raras as pessoas que são dessa forma, se são comuns mas eu as vejo pouco, ou se a maioria fica entocada sem deixar que ninguém as conheça, porque sinceramente, eu acho que só vejo clones em todo lugar que vou. Caso não esteja entendendo, vou explicar mais claramente, eu costumo chamar de clones aquelas pessoas de determinado local que agem da mesma forma porque uma agiu certa vez, e fez sucesso. Daí surgem os clones, indivíduos que copiam uns aos outros para “Se darem bem, Brow!!” e coisas desse tipo. Dependendo da cultura da sua região, você também pode conhecê-los pelo nome de Maria-vai-com-as-outras que eu acho errado, afinal, é mais justo dizer Maria-vai-com-todos, ou os famosos macaquinhos de imitação, o que também acho um absurdo, pois os primatas são bem mais espertos do que isso. Aqui na cidade o que predomina é o estilo “Muleque-piranha”, você já deve ter ouvido falar.

Ah, com certeza deve.

 É aquele que escuta funk com o celular bem alto dentro do ônibus, achando que o miserável do aparelho tem um áudio bom, compra um tênis de quatro, cinco, seis ou o diabo do número de molas que o troço tiver e deixa o calção arreado, mostrando o começo das nádegas e aquela cueca que a mamãe comprou na última quarta, nas liquidações. O que me mata de rir, é que as garotas daqui não escapam disso não, pelo contrário. As garotas são do tipo que colocam o shorts enrolado mais pra cima do que ele pode, mostrando aquela bitola de cocha da grossura de um tronco de árvore. Eu adoro sensualidade, sério. Acho lindo um decote bem arrumado, umas pernas bem torneadas, ou vestidos que deixam a mulher com as costas nuas. Mas faça-me o favor, não confunda sensualidade com vulgaridade chula. É deprimente ver meninas de uns dezesseis anos andando com uma blusa que mostra aquela barriga caída sobre o ventre e aquelas saias que de tão curtas parecem mais cintos. E não, não sou gay, gosto de mulher. Mas tem garotas que simplesmente não tem senso de ridículo, querem mostrar algo bonito, QUE ELAS NÃO TEM!  Entre ver uma bonita toda agasalhada e uma feia mostrando coisas que te fazem dispensar qualquer café da manhã, vocês acham que eu prefiro qual?

Você deve ta pensando “Esse cara esculaxa funkeiro que mostra cofrinho no ônibus, fala mal das minas vulgares e ainda tem um blog... É Rockeiro, acertei?!”

Errou, pateta.

Te peguei, neh? Pois é, mais pontos ainda para a estranheza.

 Eu simplesmente odeio o rock brasileiro. O atual, claro. Rock antigo eu gosto. Antigo mesmo, da época dos nossos pais. Esse sim eu gosto, tem letras formidáveis, pensamentos revolucionários que nas entrelinhas te fazem refletir. Agora não me apareça com letrinha de Fresno, NxZero e coisas desse tipo, eu imploro, não me apareça com isso. É tudo a mesma coisa, os mesmos ritmos, os mesmos assuntos, as mesmas vozes afeminadas, os mesmos cabelos rusticamente penteados e feitos para parecerem modernos, quando na verdade são só uma escultura capilar.

 Em relação a programas de TV, não suporto malhação (até mencionei isso no meu primeiro post do blog), não tenho preconceito contra quem assiste, mas se for pra falar “Cê viu o último capítulo de malhação? Eu perdi”, vou dar uma de desentendido pra não falar o que penso do programa. Curto mesmo é seriados, aqui em casa é TV a cabo, então se não estou no quarto, pode ter certeza que estou prostrado no sofá, igual um doente terminal assistindo The Middle, Friends e vários outros seriados da Warner. Quando não era TV a cabo, eu assistia Silvio Santos e outras coisas do SBT. Sério, pode parecer loucura, pode até ser loucura, mas pra mim é bem mais divertido assistir isso do que ver os mesmos filmes de tarde da Rede Globo que geralmente são sobre animais que falam, jogam futebol, basquete, sobre animais!

  Ouço de tudo (menos os que eu mencionei acima) no Media player, mas sou apaixonado por música Country.

Mais pontos pra estranheza, ta anotando?

Quando eu falo pro povo daqui, eles falam “Música da roça?”. É quando geralmente preciso mostrar pra eles em qual região do mapa fica situada a parte Sul dos Estados Unidos. Quando eu falo pro povo de cidade grande, nas vezes que as visito, eles falam “Fala sério, curte Evanescence não, pow?” Aí eu falo “Puta que o pariu, nasci no lugar errado, só pode”

Meu inglês não é perfeito, compreendo muitas coisas apenas ouvindo, mas em grande parte das vezes gosto da música country porque ela não faz seus tímpanos estourarem de tanta gritaria nem são uma ópera sem fim, são simples e relaxantes, ao mesmo tempo que quando vou ver suas traduções, contém muitas vezes letras ótimas, cômicas e românticas (maior parte).  

Romantismo? Sim.

Sou romântico de carteirinha, mas sou aquele romântico cético porque já fiz muita cagada quando mais novo e até pouco tempo. Meu primeiro namoro, com uns dezesseis anos (sim, namoro MESMO comecei tarde, ficação sempre é mais cedo) não durou quatro meses. Entrei de cabeça no relacionamento – burro – Sendo que a garota era mais nova e a mãe ficava em cima, ela não sabia o que queria, e aí já viu. Com o passar do tempo, aconteceram várias coisas e mesmo não querendo, acabei enrijecendo muito no que diz respeito a relacionamento, embora ainda acredito que haja uma pessoa aí fora que esteja vindo montada em um jegue manco (é a única explicação pra tanta demora) chamado futuro, e que quando descer dele eu verei que é minha alma gêmea. Eu sei, eu sei, sonhador e meio mulherzinha, mas o que posso fazer? Falei ali em cima que sou romântico, uai. Meio safado, mas romântico.

Adoro leitura, às vezes perco o sono com muita facilidade, e passo noites e madrugadas inteiras lendo no computador mesmo. Amo, simplesmente, amo escrever. Não deixo que as pessoas que não acreditam no poder que as palavras tem, saibam dos meus planos futuros. Mas qualquer um que me entenda (poucos) sabe que adoro dinheiro, afinal, quem não gosta? Mas não troco nem um milhão pelo gosto que é saber que a gente tem um talento, ainda que pouco desenvolvido, mas que é exatamente o que a gente adora.

Quase não saio muito. Aqui no quarto é meu mundo, sabe? Um lugar que mesmo pequeno e solitário, é meu. Completamente meu. Sou egoísta nesse ponto, gosto da minha bagunça bem bagunçada. Gosto dos CD’s jogados pela mesa do computador, gosto de cada toque “Diego” que tem nesse lugar. Sorrio quando dizem “Você tem que sair mais, só fica em casa” e geralmente respondo “Sair? Beleza, vamo pro McDonalds fazer aquele lanche? Vamo no parque de diversão? Vamo naquela livraria massa que tem alí?” e aí a pessoa já entende o que quero dizer.

Não entendeu? Simples, aqui não tem nada disso.

PRAIA

Aqui só tem praia.

Quando saio, gosto de sair sozinho.  Eu avisei que era estranho, nem vem.

É que sozinho, costumo ir onde quero. Vou pra um lado, vou na venda, vou pro outro, passo pela locadora pra ver se tem algum filme bom, vou na praia andar na areia, vou aos lugares que eu gosto sem escutar “Ai, não entra aí, só tem Nerd. Argh” ou “Aí, você vai entrar aí? Só tem pinguço”.
E daí? Adoro uma Skol, mesmo raramente bebendo em público e respeitando quem não bebe, queria que eu comprasse onde? Na sorveteria?

Não gosto de gente que fica regulando a pessoa. Quando eu namoro, converso muito, mostro como eu sou sem medo nenhum. Meus milhares e intermináveis defeitos, minhas manias mais irritantes, tudo. Agora imagina o estranho desse blog com alguém que não curte palavrões:

“Porra, prendi o dedo na porta, ta doendo pra caralho.”
“Credo, olha a boca menino. Eu, heim!”

Acredite, já aconteceu situações assim em que foi melhor manter distância do que agir todo “fru fru” sendo que não sou nem meio “fru”. Falo palavrão quando to muito indignado ou quando to muito alegre. A pessoa não precisa agir da mesma forma, mas ficar repreendendo alguém que não foi repreendido por isso nem quando pequeno, é pedir pra assistir aquele famoso dedo do meio.

Sou irônico. Infelizmente, sou muito sínico. E o pior é que nem é de propósito às vezes, ajo assim porque, sei lá, instinto. É meio idiota, mas é sério. É quase que um mecanismo que eu adquiri desde pequeno pra atrair só quem realmente gosta de mim como eu sou ou espantar logo os chatos de plantão.

Sou cavalheiro quase que a moda antiga. Não tenho vergonha nenhuma de abrir a porta do carro para uma mulher, elogiar a boa aparência, consolar as choronas ou deixar que uma mãe com as crianças passe a minha frente em algum lugar. Trato mulher da forma que todas devem ser tratadas, com educação e carisma. Mas odeio quando pisam em mim por causa disso. Tem mulher (não todas, ainda bem) que aproveita disso pra abusar do sujeito, conseguir o que quer, essas coisas. Aí, meus caros, pode apostar que viro a pessoa mais grosseira e antipática que vocês já viram na vida. Piso e piso com força em quem age dessa forma, seja homem ou mulher.

Sou meio altruísta quando não devo ser. E o pior é que depois que eu vejo a cagada que fiz, só me resta rir. Porque na maior parte das vezes sou um pouco individualista, então quando gente desse tipo age sem pensar em si mesmo, pode apostar que vai acontecer uma merda. O episódio que marcou isso e eu nunca vou esquecer, foi a vez que precisava pegar um ônibus pra entrevista de emprego no início do ano. Um senhor idoso pediu pra eu ajudar ele no outro lado da rua, a segurar a moto do filho na garagem e levantá-la pra por o descanso no chão. Olhei pro relógio, olhei pra ele, pro relógio, pra ele, pro relógio, pra ele, não resisti. Os olhinhos repletos de rugas e pés de galinha me disseram “Larga de ser filho da mãe e ajuda o velhinho, porra!”.

Fui.

Ajudei.

Perdi o ônibus na mesma hora.

Não sou muito chegado a papo de religião. Ainda mais quando isso passa a ser mais importante do que a opinião verdadeira da pessoa. Já fui de várias, e ao mesmo tempo nenhuma me encantou nem me fez permanecer por muito tempo. Quando as pessoas me perguntam se acredito em Deus, respondo que não sei. Realmente às vezes acredito e às vezes não, tenho uma opinião muito confusa em relação a esse assunto. Não acredito no famoso “Foi Deus que quis assim, meu filho” quando alguém morre num acidente fatal porque penso que caso ele exista, poderia ter evitado e acabou falhando. Quando eu creio, creio em um Deus poderoso, mas poderoso mesmo. Um que possa sim, evitar mortes de inocentes! Que castigue sim, pedófilos e que tenha mais coisas importantes para se preocupar do que com o tão abominado sexo antes do casamento. Acredito no livre arbítrio, no REALMENTE LIVRE.

Não me arrependo de quase nada que falo ou digo. Mas as poucas coisas que me arrependo, são tão amargas que vou carregá-las para sempre comigo. Há coisas que carrego desde criança na memória, torcendo pra poder um dia voltar no tempo e ter feito diferente, mesmo tendo sido um toquinho de gente naquela época.

Bom, anotou tudo? Chegou a um veredicto?

Porque a conclusão que chego com tudo isso, é que o jeito é ser assim. Estranho a beça, mas sem negar nem desejar que fosse diferente. Até porque se eu não fosse tão estranho, não estaria agora escrevendo para as mínimas pessoas (ou talvez nenhuma) que lêem isso aqui, e sinceramente, não teria esse gostoso passa-tempo.

Continuo escrevendo como um doido fora do blog e estou super empolgado por isso. O problema é quando surge idéias pra temas diferentes, é difícil dar conta de tudo. Então a pesquisa continua, e você? Gosta de romance? ficção? terror? 
Estou pensando em criar uma área apenas para crônicas dentro do blog, só por diversão mesmo e gostaria de saber a opinião de quem lê esse treco aqui, para ter idéia de qual tema postar em uma possível, futura e quem sabe bem próxima crônica do blog.

Grande abraço pra todo mundo, e viva o estranho mundo dos estranhos!

domingo, 22 de agosto de 2010

Um sonho

É, passei um tempo longe.

Pior que não posso nem mentir e dizer “Ah, andei cheio de coisa pra fazer, sabe?”. Foi nada disso.

Estava sem coisa alguma pra fazer, ainda estou nesse momento, mas não tinha muita disposição esses dias pra escrever. Não aqui pelo menos. Digo, nessa última semana andei pesquisando, tentando formar idéias, recebendo conselhos, descartando muitos, aproveitando somente os que realmente condizem com o que eu quero pro meu futuro, planejando o mesmo, desplanejando logo depois. Nossa! Foram vários os pensamentos que tive no que diz respeito a “seguir ou não seguir o sonho”.

  Quando a gente toca nesse assunto, geralmente vem à mente aquela coisa de “Será que vai dar certo? Será que valerá a pena? Será que vou fracassar?”, quando na verdade temos que pensar “MAS ESSA BOSTA VAI DAR LUCRO?”. E é aí que a coisa desanda, porque você finalmente coloca os pés no chão e analisa que na maior parte das vezes, nossos sonhos são tão pobres quanto nós mesmos. Não são todos, óbvio, mas grande parte das pessoas às vezes planejam se graduar em algo no qual elas não tem o mínimo talento, apenas um ligeiro interesse porque sabem que aquilo é o bem-do-século, porque sabem que aquilo irá dar um retorno financeiro agradabilíssimo não só para elas, mas para a família que fica montando ali em cima das costas do sujeito, e falando “Fulano, larga de ser besta menino! você adora computador, faz engenharia da computação que dá dinheiro!” ou então “Rapaz, você joga futebol pra caramba, por que não tenta uma vaga ali no Jurubeba Futebol Clube?!”. O pior é que nem sempre a família fala com interesse próprio, as vezes eles falam realmente porque pensam estar ajudando o sujeito em questão, só que não param pra perguntar se o Fulano adora computador porque isso é agradável como LAZER, ou perguntam pro ciclano se ele só joga bola porque ajuda a PASSAR O TEMPO. Entendem? É com uma pequena pressão aqui, outra ali, outra acolá, que a mente acaba sendo moldada de forma nada original.

 A pessoa se encontra em uma sociedade que de um lado um grupo de pessoas torce pelo bem dele sem nem procurar saber se esse bem sequer faz bem para ele.  Do outro lado temos um mundo de aparentes sucessos em determinadas áreas que se tornaram super populares, seja no esporte, na engenharia ou em qualquer outro ramo. E no meio disso tudo, aquilo que era o mais importante, aquela bostinha que o fulano jogou no lixo quando resolveu transformar o lazer da frente do monitor em trabalho ou que o ciclano chutou pra longe junto com a bola de couro, acaba sendo deixada pra trás, e pra sempre. Porque quando eles pararem pra perceber, estarão velhos, cansados e com preocupações maiores para poder correr atrás... do sonho, isso mesmo, aposto que você quase não lembrava da bostinha a qual eu me referi ali em cima, neh? Porque é isso que acontece, os sonhos são esquecidos com muita facilidade. Muito mais facilidade do que as obrigações, responsabilidades e ambições. Sinceramente, esses dias foram divertidos, eu quase não tive nada pra escrever, a inspiração ficou adormecida aqui do meu lado, na cama, enrolada na própria pelagem suave, mas quando eu compreendi o significado do sonho, ela me acordou com aquela lambida de ânimo e me observou enquanto eu sentava novamente aqui, e recomeçava a escrever, e felizmente não me refiro apenas ao blog, dessa vez.

Acho que por hora, é isso. Ah, pra quem tem dúvidas, a inspiração ainda ta aqui, me olhando com seus olhos prateados, esperando eu dizer “Mas será que eu devo...” só pra me dar aquela bela mordida que tem, suponho eu, a melhor das dores já existentes. A dor do despertar.
Mas não se engane, não, viu? Para mim ela me apresenta com o nome de inspiração, outros podem possuir algo chamado de talento, outros ainda chamam a deles de pura força de vontade, mas a verdade é que mesmo você não notando, ela está aí do seu lado. Seja ativa ou jogada no fundo do armário, apenas aguardando uma chance de lhe morder também, para que você perceba que ainda é tempo de correr atrás do seu sonho, e que é perfeitamente possível alcançá-lo sem tirar os pés no chão.

Ambição nunca foi e nunca será sinônimo de sucesso, meus caros. Agora metas pessoais, essas sim, são e sempre serão os troféus a serem alcançados e exibidos com orgulho, para si mesmo.


Gostaria de saber de quem (isso se alguém) comentar, qual o tipo de romance que vocês geralmente gostam, ou estão mais habituados a ler. Podem ser detalhistas, sem medo. 

domingo, 8 de agosto de 2010

Um padrão.

Eu não pretendia.

Eu realmente não tinha a mínima intenção de escrever algo aqui no blog em plena noite de Domingo. Mas acabei de saber de algo que me deixou ouriçado de raiva.

Através de um grande amigo, que é próximo de uma pessoa com um talento literário que na minha humilde opinião, pode ser descrito como esplêndido, e já teve algumas obras suas publicadas, descobri que a pessoa em questão teve seu trabalho rejeitado por uma editora após dias acreditando (graças às próprias palavras confiantes da editora) que o mesmo seria publicado.
Em um país onde muitos não dão valor a leitura e só se importam com pornografia barata ou jogo de futebol, algumas editoras ainda se acham capazes de dizer na cara de alguém que tem tanto talento quanto qualquer autor estrangeiro que alcança o auge do sucesso com uma história distorcida de romance adolescente; que o livro simplesmente “não se encaixa em um padrão nacional, não é o que os brasileiros gostam de ler”.

PADRÃO DE GOSTO BRASILEIRO?

É no mínimo hipocrisia dizer uma coisa dessas, quando setenta por cento dos garotos que você conheceu desde o primário até o fim do segundo grau, só liam anúncios de classificados de prostitutas em qualquer jornal barato ou alguma revistinha pornô. É mais do que hipocrisia dizer isso em uma época em que a maior parte das garotas jovens vão ao delírio com uma história que retrata um vampiro brilhante ou um triângulo amoroso no mínimo duvidoso. Chega a ser ironia afirmar uma coisa dessas em um país que um programinha de merda chamado MALHAÇÃO atrai mais a atenção de um jovem do que uma porra de um bom livro de no máximo cem páginas.  E você editora, vem falar que sabe do que o povo brasileiro gosta? Ah, mil perdões aos patriotas, mas se for pra generalizar, o que por sinal é uma coisa que não gosto, mas se for realmente pra generalizar, a gente pode encher a boca pra falar apenas uma coisa:

 “Brasileiro gosta é de peito, bunda e cerveja”.

Se é assim, garanto que seria bem mais fácil publicar um livro chamado “Sexo, drogas e pagode” já que nem rock’n roll  existe muito por essas bandas. É por essas e outras que essa história de amor a bandeira não desce na minha garganta nem com umas boas goladas de vinho. Porque pra mim, país não passa de um pedaço enorme de terra que um dia ganhou um nome. Eu nunca, nunca na minha vida fui muito fã do chamado patriotismo, o máximo que eu chego perto disso é no futebol , e alistamento no exército eu falo pra qualquer um que quiser ouvir que se for por vontade própria, é pra gente que quer morrer rápido ou tirar onda de “garoto da farda”, porque se estourasse uma guerra com uma super potencia mundial o Brasil seria chupado do mapa. Mas agora realmente foi a gota d’água.

ACORDEM EDITORAS!

Parem de olhar pro próprio rabo e invistam no que realmente compensa.
Independente de etnia ou cultura, essa história de padrão de gostos é coisa pra boi dormir. O que nos diferencia, meus caros amigos, é apenas uma coisa:

                                                               TALENTO.

 Seja qual for o seu, seja qual for o meu, seja qual for o deles, é isso que deveria contar no final de tudo.
 Apenas isso.

Procurados